Caminho da Geira e dos Arrieiros

2019/02/17 a 2019/02/26

O Caminho da Homenagem

Um caminho de descoberta, de homenagem (passa perto da aldeia onde o meu pai nasceu), o Caminho da Geira e dos Arrieiros é sem dúvida o caminho mais bonito e mais interessante que já fiz.

As palavras que surgem quando penso neste caminho: Gratidão, Natureza, Cultura, Superação.

Este Caminho são as pessoas e a rica cultura dos locais por onde ele passa.

Regiões com grande afinidade, com pessoas de grande coração, com uma vasta história, que confesso não conhecer assim tão bem. Tenho muito trabalho para fazer, muita coisa para investigar. Quem teve a amabilidade de me acolher e ajudar falou de uma forma tão apaixonada das suas terras que fiquei convencido que queria saber muito mais.

Por falar em pessoas, este Caminho ficará para sempre no meu coração pela forma como fui tratado. Pelo cuidado, pela amabilidade, pela amizade genuína.

Este Caminho é isto, são todas as pessoas que trabalham para o manter e para fazer com os peregrinos sejam bem recebidos.

O que levo deste Caminho ? Amigos.

A eles fiz e farei questão de agradecer pessoalmente todo o cuidado e apoio dado.

Do meu lado sabem que passaram a ter mais uma pessoa apaixonada pelo Caminho da Geira e dos Arrieiros, por isso contem comigo para o que for necessário para o seu desenvolvimento, sempre de uma forma sustentada e sem comprometer o seu equilíbrio.

Obrigado !!

2019/02/16

O DIA ANTES

DIA ANTES

Decidi partir para esta aventura depois de ver umas referências no Facebook a um tal de caminho da Geira, que partia de Braga e que passava por zonas muito bonitas do Minho e da Galiza. Todos diziam que era um caminho para duros, não estava bem marcado e tinha poucos locais para dormir.

Depois de ler a pouca informação disponível, passou a ser o meu desafio seguinte, queria fazê-lo o mais rápido possível, antes que se tornasse massificado. Ainda por cima tinha o aliciante de supostamente passar por locais tão bonitos e de grande significado para mim.

Comprei na Amazon um guia do Caminho (da autoria de Carlos da Barreira e de Henrique Malheiro) e comecei a preparar as jornadas. Entrei em contacto com o Henrique (que sem me conhecer de lado nenhum deu-me logo montes de informações e dicas preciosas). Em simultâneo falei com o Eusébio, que tinha acabado de fazer o Caminho e me passou uma alternativa ao trajecto inicial, por Caldelas, que me iria manter sempre na Geira Romana.

No dia 16 de Fevereiro estava a sair de autocarro de Lisboa em direcção a Braga. Aproveitei a viagem para fazer uns contactos para saber onde podia comprar a credencial pois não tinha tido tempo de a comprar em Lisboa. Alguém de uma conhecida associação passou-me uma série de possíveis locais, mas infelizmente deram-me todas as opções menos a Sé de Braga, único local que estava aberto à hora que cheguei. Primeira missão concluída.

Depois de passar umas boas horas à conversa com o Henrique (parecia que nos conhecíamos há anos), lá fui jantar em frente à Sé e depois fiquei a dormir no Albergue de Peregrinos. É um local simples, barato, fica mesmo perto do local de inicio da peregrinação, tem tudo o que é preciso. Infelizmente fica perto de uma rua com alguns bares e o barulho prolonga-se durante a noite. Aconselho levarem tampões para os ouvidos.

Uma experiência nova, ia ter o albergue só para mim… Não estava frio, iria dormir descansado, no dia seguinte começava a aventura.

2019/02/17

BRAGA – CALDELAS (DE SANTIAGO)

Não sei se foi pelo barulho dos bares, se pela excitação de começar mais um Caminho, mas acabei por dormir só duas ou três horas. Cruzei-me logo ao pequeno-almoço com um grupo grande de peregrinos que ia fazer o caminho por etapas, deviam ser umas sete e meia. Este seria o único dia em que teria a sua companhia, embora a partir de Dume tenha tomado a decisão de me afastar um pouco pois eu queria mesmo fazer o Caminho sozinho.

Depois de sairmos de Braga passamos pela Igreja São Frutuoso em Real e seguimos em direcção a Dume (aconselho um pequeno desvio e visita à Igreja local). Em Palmeira (Km 6), temos uma farmácia, comércio e uma casa abandonada imponente. Após pesquisa posterior na internet, descobri que se chama Palácio da Dona Chica, que mais parece um local assombrado…

Mais adiante voltei a cruzar-me com o grupo, que estava a fazer a primeira pausa, antes da descida para a Ponte de Bico, que atravessa o Rio Cávado e as suas águas cristalinas. Passando a ponte viramos à direita em direcção a Lago, local onde existem várias opções para comer e um ATM. Mais à frente podemos encontrar um pequeno mini mercado, antes de chegar à Igreja de Lago.

Maior parte do caminho é feito em alcatrão até ao Mosteiro de Rendufe, onde encontramos uma zona de calçada em pedra, subindo rumo a Fiscal. Aconselho a visita ao Mosteiro e à zona envolvente. Mais ou menos ao km 17, em Torre, primeiro contacto com uma pequena tasca que vende Estrella (isto é um facto muito importante). Estamos quase em Caldelas. É preciso ter atenção para não perdermos um caminho de terra batida à nossa direita, algo estreito e a subir pelo meio das árvores.

Cheguei a Caldelas por volta das 13 e aí voltei a encontrar-me com o grupo de peregrinos liderados pelo Eusébio, que descansavam e se preparavam para apanhar o autocarro de volta. Antes de procurar o sitio que tinha reservado para dormir (Pensão Correia) ainda parei para almoçar. Acabei por descobrir que reservei um quarto num sitio muito simpático mas, por desconhecimento, ficava um pouco afastado do Caminho. Quarto excelente e jantar no restaurante que pertence aos mesmos donos da pensão. Embora a experiência tenha sido muito positiva, aconselho outros locais para ficar como o novo Albergue de Peregrinos ou a Casa do Paço, pois ficam mais perto do Caminho.

Uma etapa curta, com muito alcatrão e dois ou três locais bonitos. Não deu para cansar muito mas serviu para aquecer.

2019/02/18

CALDELAS – CAMPO DO GERÊS

Alvorada às 7h30, rotinas matinais habituais e desci para o pequeno almoço, servido no restaurante da pensão, sempre na companhias de pessoas muito simpáticas, muito prestáveis. Realmente nesta altura do ano não se passa nada… Preparei algo para levar, duas sandes e um sumo, pois fui alertado pelo Henrique na noite anterior, que me disse não existirem pontos de apoio até Covide (24 km). Ali existe um pequeno café à entrada, mas quando lá passei não tinha sequer pão.

Este é um daqueles Caminhos em que tens a hipótese de estares contigo e com a tranquilidade da natureza. Estava decidido a aproveitar isso e quando comecei a caminhar quis libertar-me das redes sociais e das comunicações móveis.

Fiquei um pouco comprometido pois estava permanentemente a receber informações pelo whatts e pelo facebook e não era mesmo isso que eu queria. Enquanto estou a escrever, depois da experiência, vejo que realmente faz parte de uma ajuda genuína que todos os que amam este caminho dão, pelo que tenho de pedir desculpas pelo que eu senti na altura. Só depois entendi. Todas as manhãs tinha uma mensagem no meu whatts com informação detalhada da etapa que ia fazer. Muito obrigado, foi importantíssimo e por isso ficarei eternamente agradecido.

Como tinha planeado passar pela farmácia antes de começar, atrasei-me um pouco pois pensava que só abria às 9h00. Enganei-me, podia ter começado mais cedo, pois abria uma hora antes, até andei a fazer tempo, aproveitei conhecer melhor Caldelas e levantar dinheiro… Foi o único dia que precisei de usar o poncho pois chovia um pouco.

Os próximos 4,5 kms são sempre a subir… Saindo de Caldelas e até chegarmos a uma zona com umas construções abandonadas, o caminho é em alcatrão (quase sem transito) e a partir dai passa a terra batida. Antes de chegarmos a Paranhos, a um Alojamento de Turimo Rural, temos uma valente subida no meio de um pinhal. Aqui andamos um pouco em estrada de alcatrão.

Em determinada altura passamos a acompanhar o trajecto da Geira Romana e deixamos de ter contacto com pessoas quase até Covide. Só ao km 10,8 (São Sebastião) temos um local com um chafariz e um sitio para nos abrigarmos da chuva. Calculo que no verão tenha mais movimento. Cruzei-me com um pastor e as suas cabras lá no alto, e à nossa esquerda conseguimos ver Terras de Bouro, em baixo.

Nunca tinha atravessado tanta ribeira, já há muito tempo não tinha tanto contacto com a natureza no seu estado mais puro.

Depois de fazer alguns kms num misto de terra batida com boas bermas e Geira, entramos em Covide. Logo no inicio existe uma pequena mercearia, onde costuma estar um táxi parado. Por hábito, tomo nota sempre dos contactos, não se sabe se não poderão vir a ser úteis. Quando se chega ao final da estrada, no cruzamento, contornamos o café à nossa esquerda, para dentro de Covide.
Vinha com alguma fome mas tive azar, já não havia pão para sandes, tive de comprar uns croissant de pacote, que serviram para acompanhar uma cervejola.

Caminhamos até à Igreja até apanharmos outra vez a estrada nacional que nos leva a Campo do Gerês. Depois de aí chegarmos, viramos à esquerda no milenário, para irmos até à Pousada da Juventude. Em determinada altura enganei-me e segui até Campo. Resultado: 3 kms a mais na etapa de hoje.

Sobre a Pousada da Juventude: se quisermos jantar, temos de pedir o serviço até às 18h. Se não o fizermos, não existe outra opção à volta. Ainda bem que tomei nota do número do táxi, pois chamei-o e ele levou-me até Covide, a um restaurante à beira da estrada, que até esperou por eu acabar para me levar de volta.

Aconselho pedirem na recepção um almoço volante, pois será muito útil na próxima etapa.

2019/02/19

CAMPO DO GERÊS – LOBIOS

Pequeno almoço tomado, noite bem passada (embora tenha pago uma cama em albergue, fizeram-me o upgrade para quarto com wc), fiz-me ao caminho. O dia estava muito bonito, com muito sol. Passamos por dentro de Campo, em direcção ao parque de campismo e à barragem de Vilarinho das Furnas. Nesta zona passamos a caminhar junto à água, saímos do alcatrão e entramos na Mata de Albergaria, uma zona protegida fantástica, onde só nos ouvimos a nós, os animais, as árvores e a agua a correr.

Mais ou menos ao km 9, atravessamos duas pontes, a primeira sobre o Rio Maceira e a segunda sobre o Rio Forno, ambos afluentes do Rio Homem. Entre elas existe uma ruína de um antigo viveiro de trutas. Junto à primeira ponte fiz a minha primeira paragem, aproveitando o sossego e a tranquilidade daquelas águas cristalinas. Fevereiro, sol, manga curta… que sorte.

A partir daqui começamos a subir junto ao Rio Homem em direcção à Portela do Homem e à fronteira com Espanha, passando antes pela famosa ponte de São Miguel. Depois desta ponte andamos num trilho sinuoso, de subida acentuada, com muita pedra, até à fronteira.

Primeira passagem pela fronteira, aparecem as memórias de puto, quando passava ali com a minha família e tínhamos de parar para mostrar os documentos. Agora todos os edifícios estão semiabandonados e mesmo o café do lado português estava fechado. Entretanto passei lá no verão e vi que aquilo tinha mais animação.

Estava calor, parei mais uma vez para contemplar a vista, usufruir do sossego e relembrar outras passagens, antes de começar a descer em direcção a Lobios. Este é o ponto de maior altitude desta etapa.

Andei mais ou menos cem metros e entrei numa estada de terra batida que se encontra à esquerda e comecei a descer, num estradão que está referenciado como um trilho ciclável. Este estradão em determinada altura é interrompido pela estrada nacional (mais ao menos ao km 15,5, cerca de 3 km depois de começarmos a descer), perto de uma zona de descanso onde foram colocados vários milenários, provavelmente arrancados dos sítios originais aquando da construção das estradas de alcatrão. Tem umas mesas para se poder parar para comer e um caixote do lixo de apoio.

Antes de chegarmos a Lobios passamos pelas cascatas da Corga da Fecha, pelas ruínas romanas de Aqua Origins e, fazendo um desvio, podemos passar por Os Banos, local termal de águas quentes, perto do rio Caldo. Uma excelente alternativa à dormida em Lobios passa por ficar aqui, na Pensão As Termas.

Aqui encontrei um casal de portugueses que me disserem que era impossível entrar no tanque publico pois tinha a agua tinha sido trocada no dia anterior e que agora era possível cozer ovos. Realmente er impossível…

Mais 2 kms e chega-se a Vilamea (uma boa subida e descida), a partir daqui restam mais 4 kms até ao final da etapa, até ao Hotel Lusitano em Lobios.  Ao chegar ao Hotel tive de esperar um bom bocado pois, embora tivesse o quarto pronto, não sabiam da chave. O que vale é que ao lado tem um bar com Estrella…

Depois de uma ou duas Estrellas lá fui para o quarto para tratar das rotinas habituais. O que posso dizer deste hotel é que tem uns quartos espaçosos e confortáveis, perfeitos para recarregar baterias. O jantar foi num pequeno restaurante que fica em frente ao hotel, que serve uns pratos combinados em conta. Engraçado, mesmo cansado, não tinha vontade de ficar no quarto, estava cheio de energia.

Agora sim, tinha feito uma etapa ao nível do que tinha sido descrito… Paisagens fantásticas, muita natureza.

2019/02/20

LOBIOS – CASTRO LABOREIRO

O pequeno almoço é tomado no café ao lado do hotel. Ás 8h30 já estava despachado e de mochila às costas. Ao sair do hotel, cuidado para não falhar o caminho… A vista a sair de Lobios é muito bonita, com a Igreja a destacar-se.

Andamos cerca de 3 kms, passamos uma ponte sobre o Rio Lima e encontramos uma bomba da Repsol. O caminho continua por detrás do edifício do posto, por entre dois montes de gravilha. Segundo me recordo, tem lá uma pequena placa com a informação de um tal caminho ribeiro qualquer coisa (não irei comentar isto por agora).

Próxima localidade Feira Vella, ao km 3, tem um pequeno restaurante com um aspecto muito decente. A seguir chegamos a Entrimo (km 6.1) , local onde devemos fazer um reabastecimento pois até Castro Laboreiro não existe nada. Aqui encontramos uma farmácia, um estanco (para os fumadores), multibanco e dois ou três bares.

Subimos, passamos A Pereira, e a partir do km 12/13 parece que estamos a caminhar na zona do Guincho / Malveira da Serra, com o mesmo tipo de vegetação, a terra tipo areão, caminhos estreitos, com vento, descrito no livro do Henrique como paisagem lunar.

No final deste troço voltamos a entrar em Portugal, na Aldeia da Ameijoeira. Quando chegas à capela, o caminho continua pela direita. Eu optei por descer pelo alcatrão, atravessar o Rio Castro Laboreiro e ir em direcção à Aldeia de Pontes, utilizada como turismo rural. Por este lado do caminho passamos pelo aqueduto de Pontes e seu cruzeiro, construído entre 1940 e 1950.

Mais à frente voltamos a encontrar o caminho proposto, que nos aparece pela direita, em direcção à Ponte da Cavada Velha. Aqui aconteceu um imprevisto pois alguém se lembrou de fechar o caminho, o que me obrigou a andar pelo meio dos terrenos, sujeito a apanhar algum boi chateado por me ver por ali.

A Ponte da Cavada Velha é um monumento nacional, supostamente construída pelos romanos no século I, e que sofreu uma intervenção nos séculos XII ou XIII. Esta última intervenção faz com que exista alguma confusão sobre a sua construção, se Românica ou Medieval. É um local fantástico para tirar umas fotos e também não deve ser nada mau tomar uns banhos no Rio Castro Laboreiro, mesmo sabendo que a água deve ser muito fria.

Ao recomeçar em direcção a Castro, decidi relativizar as distancias, atravessei a ponte e caminhei por uma GR que ali existe, mas que segue pelo lado direito do rio. Era um “pequeno” desvio, bastava dar a volta ao monte no final, em Castro Laboreiro. Ainda por cima tinha tempo pois ia ser obrigado a esperar que me abrissem a porta do AL onde ia ficar…

Esta decisão obrigou-me a andar mais 7 kms, pois apanhei o trilho fechado e tive de voltar para trás. Pelo meio tiver um encontro imediato com um boi que ficou a ocupar o trilho e não me deixava passar.

Voltei à ponte e passados poucos metros encontrei o alcatrão que me ia levar até Castro, perto da ponte da Assureira. Daqui até Castro são 3 kms, numa boa subida que parece nunca mais acabar. O Henrique ainda me sugeriu ir visitar o Castelo de Castro, mas não tive coragem, estava cansado. Já lá voltei e realmente vale a visita.

À entrada de Castro, no final da subida, existe um restaurante com uma caixa multibanco, o Hotel de Castro e um snack bar, foi neste ultimo que parei para descansar antes de jantar.

Como a Sónia do Just Natur Guesthouse ainda ia demorar um pouco a chegar (sim, ela vinha do Porto para me abrir a porta), decidi ir jantar ao hotel. Tinha a sala só para mim, estive na conversa o tempo todo com o cozinheiro, enquanto comia uma bela posta com vinho verde da adega de Monção na malga.

Facto curioso: pela primeira vez na vida vi uma raposa andar a procurar comida junto aos cafés. Até o dono de um deles lhe dava comida à mão…

Fui muito bem-recebido no Just Natur, muito confortável, nota-se que a Sónia é uma apaixonada pela zona. Tivemos muito tempo a conversar e a provar os seus licores antes de ir dormir. Consegui aqui tratar pela primeira vez da minha roupa. Aconselho, cinco estrelas.

Resumo do dia: a etapa mais bonita (até agora), muito tranquila, que supostamente teria 21 kms, se não tivesse decidido fazer um desvio que somou mais 6 ou 7 kms ao que estava planeado. Os últimos 3 kms são tramados. Adoro o Caminho da Geira, ao contrário do que se podia pensar, chego cansado mas ao mesmo tempo com uma energia fantástica (como é isto possível ?!)

2019/02/21

CASTRO LABOREIRO – CORTEGADA

Conforme combinado, às 8 estava na cozinha para tomar o pequeno almoço. Só tive de esperar que a senhora viesse trazer o pão para atacar aquela mesa fantástica, cheia de produtos locais. Mais uma boa conversa, farnel preparado para mais uma jornada, até Cortegada não existe nada… Previa-se mais um dia com um tempo excelente.

A minha referência seria que eram 28 kms, quase sempre a descer, excepto na parte final, já perto da meta. Quando passamos a ultima casa em Castro, entramos num caminho de terra, com uma sucessão de subidas e descidas até chegarmos a Portelinha, o ponto mais alto desta etapa. Embora a partir daqui seja a descer, a velocidade média foi muito baixa pois o trilho tinha muita água e pedra com verdete. Todo o cuidado é pouco.

Depois de passar Portelinha começamos a descer em direcção a Azureira, onde entramos definitivamente na Galiza. Passamos Monterredondo e depois chegamos a San Amaro, mais ou menos no km 17,5. Aqui temos a única hipótese de reabastecimento (pelo menos de líquidos) desta etapa.

Quando atravessamos a estrada nacional, devemos sair do Caminho à direita e lá encontramos o Café Bar San Amaro. Preparem-se para encontrar uma empregada muito maldisposta neste oásis… a seguir temos mais ou menos 12 kms à nossa frente.

Sempre em plano ou a descer, passamos pela Ermida da Portela e pela Ermida de San Xusto até chegarmos à zona industrial de Trado. Aqui devem ter cuidado pois estão por lá umas placas que podem enganar os peregrinos. Continuamos a descer até à ponte sobre o Deva e entramos por um caminho que se encontra à direita da estrada nacional, mesmo em frente a um armazém de materiais de construção.

Mais ou menos 500 metros depois passamos o túnel que passa por debaixo da estrada, em direcção ao Rio Minho, por um caminho de terra até Vilanova da Barca. A partir daqui anda-se sempre paralelo à zona do balneário, onde já vemos Cortegada. A partir daqui temos de subir até ao centro, neste caso até à Pensão Buenavista, onde eu iria passar esta noite.

Esta pensão é porreira, tem um bom quarto e preços especiais para peregrinos. Jantar, dormida e pequeno almoço por 32 euros. Fez-me lembrar a primeira etapa do Caminho Primitivo, pois paguei exactamente o mesmo em Grado.

Resumindo, uma etapa de solidão (mais uma, até agora zero peregrinos), uma etapa típica deste Caminho. Confesso que acabei a sofrer um bocadito, pois acelerei o passo e não parei as vezes que devia. Fiz troços muito longos. É uma aprendizagem.

2019/02/22

CORTEGADA – BERAN

Hoje apanhei nevoeiro logo pela manhã na saída de Cortegada em direcção a Rabiño, onde podemos encontrar a Igreja de San Benito do Rabiño. Mais ou menos 500 metros depois, temos uma subida de 700 metros, para depois começarmos a descer, passando por Meréns, até ao Rio Minho. Daqui até à ponte sobre o Rio Arnoia são cerca de 3,5 kms, num trilho de grande beleza, com muita sombra.

Depois de passar a ponte sobre o Rio Arnoia, entramos num passadiço junto ao rio durante mais ou menos 1 km, sempre muito próximo da margem, e que merece uma paragem para descansar. Existe aqui um pequeno parque que deve ter um bar aberto no verão.

Daqui até Ribadavia são cerca de 6 km e os últimos 600 metros antes de passarmos a ponte sobre o Rio Avia para Ribadavia devem ser feitos com muita atenção, pois não existem grandes bermas. No meio das árvores encontramos uma seta amarela de Santiago (que julgo apontar a Ourense) e não devemos ir por aí, o nosso trilho está à esquerda.

Andei a passear por Ribadavia (merece uma visita com mais tempo) e acabei por parar para comer à saída, no Café-Bar Veronza, perto de uma azenha no Rio Avia e de um parque para crianças. Local simpático.

A partir daqui o caminho é um misto de asfalto e terra batida. Temos uma pequena subida até à próxima localidade, Beade. Ao sair, quando apanhamos a estrada nacional, encontramos a Igreja de Santa Maria de Beade, muito bonita e imponente, onde se destaca a Cruz de Ordem de Malta presente na torre.

A partir daqui é sempre a subir até Beran, passando por umas termas que julgo só abrirem no verão. No Inverno deve ser porreiro tomar banho em águas que estão normalmente a 28 graus.

Em Beran fiquei na casa Lucita, que me fez lembrar a cena do Ramon, no filme The Way, tal o grau de boa loucura encontrado. Fica logo à entrada. Primeiro passei a manhã a tentar confirmar com a senhora se estava tudo ok e só consegui falar com ela em Ribadavia. Quando cheguei, a senhora saiu e deixou-me na rua, dizendo que ia comprar algo para eu comer…. Fui até ao centro de Beran, e fiz tempo num pequeno bar que fica perto da Igreja, por sinal bem bonita.

Quando voltei a senhora já tinha chegado e levou-me aos quartos, que ficam no primeiro andar. A entrada faz-se por uma taberna, com um ar muito manhoso e onde se destaca o seguinte dizer “Aqui fala-se galego e todos os idiomas…”. A senhora era sem duvida muito simpática dentro da sua estranheza, mas infelizmente o quarto e as suas facilidades deixavam muito a desejar, pois os quartos não eram aquecidos e não havia água quente para o banho. Teve de ser à gato…

O jantar, uma carne grelhada com ovos e batata frita, foi servido na tal taberna, onde tive a oportunidade de conhecer uma pessoa que se diz presidente uma associação que defende pelos vistos um caminho paralelo ao Caminho da Geira e dos Arrieiros. Começou logo a dizer mal do Henrique e do Carlos, tive logo de travar a conversa. Coisa chata, tipo chato, fico-me por aqui…

Dormi com toda a roupa que tinha, ceroulas de licra, gorro, dentro do saco de dormir, debaixo dos cobertores, o quarto era austero e velho, mas era limpo. Agradeço de qualquer forma ter tido uma cama para dormir. Só nesta noite tive necessidade de tomar um comprimido para as dores que tinha nas pernas.

2019/02/23

BERAN – BEARIZ

Dentro do possível, lá consegui descansar, mesmo com o frio que passei (já agora a cama também era muito curta). Difícil mesmo foi levantar-me às 4 para ir à casa de banho… Mais um banho “à gato”, estava despachado para descer para o pequeno almoço às 8, conforme combinado com a dona da casa. Café com leite, pão seco e bolo, era o que havia, foi entregue o justo pelo preço que paguei, 25 euros.

Normalmente duas horas depois iria encontrar algo para comer em Pazos de Arenteiro, pois só tinha comigo um kit de emergência, uns frutos secos.

Livro de visitas assinado (vi que nem um peregrino tinha ali ficado nos últimos 4 meses), credencial assinada (com o selo da casa e da associação local). Estranhei tão poucas visitas pois em Beran não existe mais nada. De qualquer forma, depois entendi melhor o porquê dos peregrinos estarem a seguir até Pazos, preferindo fazer mais 8 km em vez de ficar ali.

Seria interessante que Beran apoiasse melhor os peregrinos, andar a dizer que fazem e acontece não chega.

Hoje teria 29 kms pela frente. Depois sair de Beran, passando a capela de São Roque, são cerca de 4 kms num misto de caminhos de terra batida e estrada de alcatrão, até Lebosende. A seguir à Igreja de São Miguel, saímos da estrada e entramos num caminho à esquerda. Quando por lá passei estavam em obras e tive de passar por dentro do estaleiro.

Daqui a Pazos são sensivelmente 4 kms e normalmente será possível parar num bar a seguir à Ponte para reabastecer. Eu tive azar e apanhei o bar fechado, tive de usar o meu kit de emergência…

A partir daqui encontramos uma etapa desafiante. Os primeiros kms são fáceis, sempre junto ao Rio Avia até Salon, uma pequena aldeia semi abandonada, onde temos pela nossa frente mais ou menos 3 kms sempre a subir. Passamos por O Igresario (aconselho a visita à igreja de Albarellos), Distriz, Vilachá, até chegarmos a Feás. Estes últimos kms são feitos em alcatrão.

À entrada de Feás parei no Bar Nitron, onde é possível almoçar caso liguem antes a marcar. Estava à minha espera, pois o Carlos tinha dado o toque a avisar. Quando cheguei até lhe enviaram uma msg com a evidência, para que ele ficasse descansado. Uma grande sandes de presunto foi o meu banquete, acompanhado com a bebida tradicional da Galiza (que não é agua). Mais uma vez apanhei pessoas muito simpáticas, amigas dos peregrinos, que estiveram ali à conversa comigo algum tempo. Aqui a paragem é obrigatória.

Um familiar da dona (julgo que era tio) acompanhou-me até à saída de Feás, indo comigo até uma fonte de agua que ele dizia ser muito boa, onde eu enchi o meu camel bag. Iria ser necessária para os próximos 10 kms, feitos na maior parte do tempo em alcatrão, com uma boa subida logo para começar.

Quando cheguei a Beariz tinha à minha espera a Ana e o José para me darem as boas vindas. Enquanto a Ana me levou até sua casa, onde eu iria passar essa noite, o José teve de ir pois estavam à sua espera para a apresentação de mais um dos seus livros. Combinámos falar mais tarde.

Passamos perto da Igreja de Santa Maria Beariz e entramos numa rua paralela à rua principal. A casa da Ana ficava por cima do Bar Centro, que na altura pertencia aos seus pais. Mostrou-me o quarto, onde tomar banho, como podia lavar a roupa, estava instalado. Aparentemente os pais da Ana já se reformaram e já existe um alojamento preparado para receber os peregrinos a um preço simpático.

Jantei com eles nessa noite, pessoas muito simpáticas, que fiz questão de visitar quando voltei a Beariz no verão. No final, a Ana e o José Balboa apareceram e tivemos ali um bom bocado a trocar impressões sobre o Caminho de Geira. Entretanto também se juntou a nós o alcaide de Beariz. Foi realmente muito bem-recebido aqui…

Resumindo: a etapa mais complicada, longa, com duas boas subidas após Salon e Feás. A recompensa é a chegada a Beariz, local com gente que gosta muito dos peregrinos. Deve ser feita uma boa gestão da comida, da agua e do repouso neste troço.

2019/02/24

BEARIZ – CODESEDA

Depois deste contacto com tão boa gente, hoje acordei e comecei a andar com uma energia fantástica. Pequeno almoço tomado, ainda estive um pouco à conversa com a Ana e meti o pé na estrada eram 8h45. Entretanto tive a oportunidade de ver que Beariz ainda tem uma boa dimensão, com muitos serviços.

Hoje tinha pela frente a etapa mais longa, 32 kms.

O próximo local onde existem muito serviços e que merece uma paragem é Soutelo de Montes, que fica mais ou menos no km 12. No caminho encontramos um bonito parque à saída de Beariz (onde começa o trilho de terra), Pardesoa (cuja visita à igreja de Santiago merece o desvio) e o Sisto. Até aqui não existe nada de complicado, só uma pequena subida logo no inicio.

Se quiserem comer algo mais típico, no final de Soutelo, na estrada, existe um bar de tapas com muito bom aspeto. Eu parei logo à entrada, no Bar São Roque.

Ainda faltam 20 kms. Pela frente temos alguns povos, como Ventoxo, Acivedo e Freixeira. Um pouco antes desta aldeia existe um pequeno parque que me parece muito interessante para fazer um break. A outra alternativa fica em Cachafeiro, onde podemos encontrar um pequeno bar restaurante com o nome do sitio que tem uns petiscos muito bons.

O ponto seguinte de visita obrigatória é a ponte Gomail, uma pequena ponte medieval sobre o Rio Lérez , por onde passa o Caminho. Nos próximos 4 kms vamos enfrentar a ultima grande subida até Santiago

De seguida passamos por A Mámoa, Rapa de Sabucedo (onde nos cruzamos com alguns cavalos selvagens), Vilaboa, Portela e Agrela. Aqui encontramos o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe. Até Codeseda são mais 2500 metros a descer, com uma passagem indispensável pela Cruz da Grela, que se pode encontrar depois de andarmos mais ou menos 500 metros. Aqui estava o Jorge, que me recebeu e que seguiu para Codeseda, onde me esperou para falarmos um pouco sobre o trabalho que eles estavam a fazer em prol deste Caminho.

Meia hora depois, quando cheguei a Codeseda, lá estava ele no largo que dá acesso à Igreja de San Xurxo. Enquanto visitávamos a igreja e a zona envolvente, ele foi-me mostrando algumas evidencias que provavam a passagem de peregrinos por ali. De seguida levou-me a casa dele, um local fantástico no meio do campo, onde me esperava uma bela lareira e umas iguarias para jantar. Ainda tive a oportunidade de ver um excelente documento que tinha sido por ele, um códice do caminho. Um livro fantástico.

Balanço do dia: uma etapa longa, bonita também, já com algum cansaço acumulado nas pernas. O prémio foi o jantar e o dormir à beira da lareira, pois fiz questão de ficar no sofá da sala, no quente.

2019/02/25

CODESEDA – PONTEVEA

Uma noite super tranquila, no meio de nada. Mochila preparada, casa arrumada, saí em direcção ao largo principal de Codeseda para tomar o pequeno almoço. Mais uma vez tinha logo pela manhã uma mensagem do Henrique, com o briefing diário. Acho que sem as indicações dele teria visto metade das coisas que vi.

A etapa de hoje, que teoricamente teria 25km, começa com 1,9 kms em alcatrão, passamos o Rio Umia e um pouco à frente entramos por um trilho em terra à direita, que se prolonga por mais ou 2 km, até próximo de Paredes. A partir daqui maior parte do caminho é feito em alcatrão.

Daqui até Tabeirós e à Capela de Nossa Senhora da A Consolacion são cerca de 3km. Sempre por alcatrão, passados 1,8 kms, entramos em Sandán e 1km depois passamos pela Igreja de San Julián de Guimarei.

Até A Estrada são mais ou menos 2 kms, em alcatrão e terra batida. Na parte de terra, no meio das árvores, deparei-me com uma diferença entre o trajeto teórico e o caminho real, pelo que acabei por fazer mais uns metros pois tive de seguir um trilho alternativo.

Como A Estrada fica no km 12, torna-se um bom local para parar para comer e descansar. Acabei por parar num bar no centro, que não era nada de transcendente (julgo que teria um nome estrangeiroi, Robert ou algo assim), mas serviu perfeitamente para o efeito. Não era preciso carregar muito as baterias pois o caminho seria fácil até Pontevea, quase sempre a descer.

Muito caminho de terra, passamos por Figueiroa e, passados 3,5 km entramos em Toedo, onde podemos observar um cruzeiro e a Igreja de San Pedro. Passados mais ou menos 5 kms deparamos-nos com a Capela de Nosa Señora de Aranzazu.

Aqui passou-se algo que nunca me tinha acontecido, parei em frente a uma casa e pedi água a uma senhora que estava no quintal, que me foi negada. Devo ter feito algo que assustou a senhora ou então o meu mau aspeto chegou para a amedrontar. Um km depois encontrei um senhor que me deixou beber agua do um poço que ele lá tinha e lá me safei. Embora não tivesse muito calor, nestes dias andei a beber mesmo muita água.

Antes de Pontevea encontramos a estrada nacional e viramos à direita. Com cuidado, temos de atravessá-la e seguir pela esquerda, em direcção à ponte medieval. Aí voltei a ver as famosas setas amarelas, agora julgo que existirão mais. Tinha indicações para me encontrar com o Isidro, pelo que fui à procura dele na Casa Pernas. Enquanto esperava, aproveitei para petiscar algo, as tapas tinham muito bom aspecto.

Já tinha sido alertado que iria ser muito bem-recebido, mas realmente o Isidro foi excepcional. Como ainda era dia, ele levou-me a ver uma série de coisas à volta de Pontevea, trilhos, troços de rio, uma fonte de água sulfurosa, etc… foi um excelente cicerone, mostra que gosta muito da sua terra.

No final deste tour levou-me ao local onde iria pernoitar, um centro de bem-estar e alojamento rural, a Casa Rural de Albeitaría. Ficou combinado que eu me iria instalar e que quando estivesse despachado me iria buscar para jantar.

Em todos os caminhos eu escolho um local para ter uma noite que não tenha a ver com os alojamentos típicos que normalmente encontramos. Este não foi bem escolhido, mas acabou por ser a noite da dormida de luxo…Na verdade todo este caminho foi um luxo, fui mesmo muito bem tratado.

Jantar, conversa (mais uma vez, estava a falar com alguém que parecia conhecer há anos), e o Isidro levou-me de volta ao alojamento e, antes de se despedir de mim, entregou-me um colete reflector, avisando-me que ia andar muito pela estrada nacional e que era bastante movimentada. Fantástico.

Balanço: depois de uma etapa que se previa fácil, acabei com muitas dores nos pés. Mais ou menos 27 kms, sem grandes subidas ou descidas. O que vale é que deu para ficar de molho algum tempo de molho na banheira a relaxar e a recuperar. Final de dia bestial, já falta uma etapa, a mais curta e começam as saudades a aparecer, mesmo antes do final do Caminho.

2019/02/26

PONTEVEA – SANTIAGO DE COMPOSTELA

Depois de um grande pequeno almoço tomado às 9, sai para a derradeira etapa, a mais curta deste Caminho, cerca de 17 kms. Como ia tão descontraindo e talvez por achar que eram poucos kms, a determinada altura desviei-me do Caminho, pelo que acabei por fazer mais 2 kms no final.

Este primeiro troço de 3 kms tem um bocado de transito, pelo que se percebe o porquê do uso do colete reflector. No final encontramos um cruzeiro e a Igreja de San Miguel de Raris. Aqui o Caminho continua pela direita, por uma estrada de alcatrão. Aqui se deu o meu engano, depois de ver a Igreja continuei pela estrada nacional, pela esquerda. Só dei pelo erro muito à frente, pelo que tomei a decisão de encontrar uma ligação ao Caminho em vez de voltar para trás.

Ainda me cruzei na estrada com o Isidro, que me mandou uma valente buzinadela.

Foi em Sestelo que voltei a encontrar o Caminho, estava outra vez no trilho certo. Passados 3,5 km encontramos Cacheiras e a sua Igreja de San Simón. Aqui estamos a metade da etapa, a partir daqui passamos a estar muito mais focados na chegada.

Sisto, San Sadurniño e Mountouto são os últimos locais por onde passamos, antes de entrar na malha urbana de Santiago, a caminho da Catedral.

Chegada a Santiago: mais uma vez aquela emoção, desta vez depois de acabar um Caminho completamente diferente, talvez o mais bonito feito até agora.

Obrigado a todos os que me ajudaram, principalmente o Henrique, o Carlos e o Jorge. À Ana e a sua família e ao Isidro, também tenho de agradecer toda a ajuda. Muito obrigado.

Nota: à excepção do grupo inicial do Eusébio, não me cruzei com nenhum peregrino durante todo o Caminho.

Fui o primeiro peregrino a fazer este Caminho em 2019 e, embora ainda não fosse um caminho oficial, fui ver se conseguia a Compostela, pois para mim este tinha sido um Caminho muito especial. A muito custo lá a consegui. Só a partir do mês seguinte o Caminho da Geira e dos Arrieiros passou a ser um Caminho Jacobeu. Parabéns a todos.

©2020 João C. Coutinho
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