Lugares Abandonados

Palácio da Comenda

Palácio com cinco pisos e 26 quartos, desenhado pelo arquiteto Raul Lino, em 1903, para servir de residência de veraneio ao Conde D’Armand, ministro de França.

Ao que parece, os franceses eram muito amigos dos Kennedy. Logo após o assassinato do marido, em 1963. Jacqueline Kennedy veio para Portugal com os dois filhos pequenos, Caroline e John, a convite dos condes D’Armand.

Nesta propriedade e toda a envolvente, estende-se “outro mar”, em tons de verde: 600 hectares de floresta, em zona de reserva integral do Parque Natural da Serra da Arrábida.

O construtor português António Xavier de Lima tornou-se proprietário da Casa da Comenda a partir dos anos 1980 e com a sua morte, em 2009, os herdeiros colocaram-na à venda. Foram precisos 11 anos para aparecer o dono certo para o palácio: alguém que, além de pagar 50 milhões de euros, aceitasse preservar as características do edifício histórico e manter intocados os 600 hectares de terreno em volta.

O palácio da Comenda precisa de obras profundas, no valor de vários milhões de euros, depois de anos de abandono. As estruturas principais estarão preservadas, mas o telhado desabou parcialmente. Pelo que foi comunicado à Câmara de Setúbal, virá a ser a residência privada de um casal de milionários, que prefere manter o anonimato.

Hotel da Foz da Sertã

Pertencente a Júlio Martins, há quem aponte a chegada dos primeiros hóspedes para 1959. Depois do 25 de abril foi ocupado pelos que vieram de África, que arrebentaram com aquilo tudo. O dono teve um desgosto tão grande que se suicidou

O Hotel Foz da Sertã tinha quatro pisos: no primeiro ficavam as garagens, sala de refeições e um salão que servia de bar/café; no segundo o restaurante e cozinhas, recepção e um corredor de quartos, todos com casa de banho privativa.

No terceiro e quarto piso ficavam as restantes habitações, que perfaziam um total de 44 quartos e vários apartamentos. Antes da construção do hotel, já existia naquela zona, desde 1894, a Casa da Água da Foz da Sertã.

Este pequeno espaço servia de fábrica de engarrafamento da Água da Foz da Sertã, uma água termal utilizada no tratamento de problemas de digestão, infecções, diarreias, problemas gastrointestinais e diabetes.

Sanatório Albergaria

As ruínas do Sanatório Albergaria, que nunca foi concluído, situa-se junto à povoação de Montachique, no concelho de Loures. Os locais adoptaram-no como castelo, há quem lhe chame palácio, mas a estrutura imponente tem mais semelhanças com uma fortaleza. Ergue-se ali há quase uma centena de anos e encerra em si um bom punhado de histórias e de lendas.

Estes estabelecimentos atingiam proporções dignas de autênticas prisões e eram dedicados ao isolamento e tratamento da doença (apesar dos benefícios do “ar fresco”, 75% dos doentes internados nestes sanatórios acabavam por morrer no prazo de 5 anos, segundo dados de 1908). Em 1918 Francisco de Almeida Grandella (dos armazéns Grandella) doou um terreno de 3.500 metros quadrados para a construção de um edifício destinado ao tratamento e internato temporário de doentes de tuberculose.

Juntou-se o arquitecto Rosendo Carvalheira, que criou um grandioso projecto para o edifício. A falta de financiamento parou com a construção e todas as expectativas geradas em torno do projecto acabaram por sair goradas. Fotos tiradas com telemóvel.

©2020 João C. Coutinho
A reprodução (impressa, digital ou por qualquer outro meio) do conteúdo deste site é expressamente proibida sem a minha permissão.